ANÁLISE & OPINIÃO

O que as pesquisas já mostraram e o que ainda espero das urnas na Bahia

A disputa se estreitou desde julho. A vitória de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno continua sendo o prognóstico que assumo.(Por Jerbson Almeida Moraes)

A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira põe Jerônimo Rodrigues com 47% das intenções de voto e ACM Neto com 43%. Em julho, quando escrevi que o segundo turno na Bahia não era inevitável, essa possibilidade ainda era recebida com ceticismo. Hoje, é uma hipótese que precisa ser levada a sério.

Não reivindico ter antecipado o placar de uma pesquisa. O que procurei identificar, ao longo de sucessivos artigos, foi a direção da disputa. Em “A Bahia não cabe numa fotografia”, sustentei que a vantagem atribuída a Neto não bastava para encerrar uma eleição em que Jerônimo começava a ganhar presença espontânea e contava com uma estrutura política espalhada pelo estado. Em “Por que o 39 a 38 pode enganar”, mostrei que o empate da Genial/Quaest dizia menos, sozinho, do que as perguntas ao redor dele: quantos eleitores ainda poderiam mudar de voto? Quanto do apoio a Lula poderia chegar ao governador? Qual seria o peso da rejeição de cada candidato?

Quando comparei as pesquisas Real Time de março e agosto, o quadro ficou mais nítido. Neto tinha 44% nas duas; Jerônimo passara de 39% a 42%. Escrevi então que o ex-prefeito não avançara naquele intervalo e assumi um prognóstico: Jerônimo venceria no primeiro turno. Mais tarde, ao examinar a Quaest de agosto, fiz uma ressalva que continuo considerando indispensável. O governador crescia na espontânea, mas a virada ainda não estava demonstrada na estimulada daquele levantamento.

A série de setembro acrescentou um fato novo. Na Real Time divulgada no dia 9, Jerônimo apareceu com 45% e Neto com 44%. Na pesquisa de hoje, a distância numérica passou a quatro pontos, com 47% a 43%. É uma evolução favorável à leitura que venho defendendo. Não elimina a margem de erro nem autoriza anunciar o vencedor antes da votação.

O mesmo levantamento simulou um segundo turno: Jerônimo recebeu 48% e Neto, 44%. Considerados apenas os votos atribuídos aos dois, a proporção aproximada é de 52,2% a 47,8%. É uma conversão dos percentuais divulgados, sujeitos a arredondamento e à decisão posterior dos indecisos. O dado reforça a competitividade do governador no confronto direto; não resolve, por si, a pergunta que faço desde julho sobre o primeiro turno.

Essa margem, de dois pontos para cada candidato, também merece ser explicada sem exagero. Se Jerônimo estivesse no limite superior informado e Neto no inferior, o placar seria 49% a 41% — oito pontos de diferença. Trata-se de um exercício aritmético, não de uma estimativa do resultado verdadeiro. Minha previsão anterior de uma vantagem de sete a dez pontos é uma aposta sobre as urnas de 4 de outubro, e não um número que se possa extrair automaticamente da pesquisa desta segunda-feira.

Há uma razão adicional para que eu mantenha essa aposta: o interior. As pesquisas estaduais procuram representar seus eleitores, mas nenhuma amostra revela, município por município, como a mobilização política da última semana se converterá em votos. Na Bahia, o trabalho de prefeitos, lideranças locais e campanhas nos distritos pode ser decisivo. Foi parte desse movimento que procurei observar desde julho. Sua dimensão exata só será conhecida na apuração.

Isso tampouco significa ignorar a força de ACM Neto. Ele conserva uma votação expressiva e segue competitivo. Também permanece em aberto a questão que registrei nos meus artigos: o eleitor que escolhe Lula para presidente, mas prefere Neto para governador, mudará seu voto estadual? A resposta, assim como o efeito da rejeição a Jerônimo, determinará se a vantagem medida agora será suficiente para uma vitória em turno único.

Até aqui, minhas análises acertaram ao tratar a eleição como aberta, ao acompanhar a aproximação de Jerônimo e ao recusar a ideia de que Neto tinha uma vantagem assegurada. A liderança numérica do governador apareceu depois. Falta testar a afirmação mais ousada que publiquei: Jerônimo Rodrigues vencerá no primeiro turno.

Continuo acreditando nesse desfecho. No domingo, a Bahia dirá se a leitura do movimento foi também uma leitura do resultado.

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