PAULO MAGALHÃES TRANSFORMA LAVAGEM DO BONFIM EM VITRINE DE VITALIDADE E ARTICULAÇÃO POLÍTICA
Deputado federal percorre todo o cortejo e protagoniza encontros com governador, prefeitos e lideranças regionais em uma das maiores demonstrações de força no cenário baiano

SALVADOR — A Lavagem do Senhor do Bonfim, celebração que há mais de dois séculos condensa a síntese religiosa e cultural da Bahia, serviu neste ano como palco para uma demonstração inequívoca de resistência política.
O deputado federal Paulo Magalhães (PSD), não apenas compareceu ao evento — percorreu integralmente os oito quilômetros do cortejo entre a Igreja da Conceição da Praia e a Colina Sagrada, sob o sol inclemente do verão baiano, e converteu cada trecho do trajeto em oportunidade de interlocução com o que há de mais expressivo na política estadual.
Vestido no branco ritual que a tradição consagrou, o parlamentar cumpriu a jornada com a naturalidade de quem domina os códigos da festa popular. Transitó entre baianas, devotos e foliões, deteve-se para fotografias, abraçou apoiadores anônimos e, sobretudo, articulou-se com desenvoltura entre os diferentes polos do poder institucional que, como de costume, convergem para o evento.
Geometria política à sombra da Colina Sagrada
A Lavagem do Bonfim funciona, historicamente, como uma espécie de termômetro informal das alianças e tensões que atravessam a política baiana. Não foi diferente neste ano.
Os registros fotográficos da jornada mostram Paulo Magalhães em diálogo com o governador Jerônimo Rodrigues, sinalizando uma interlocução fluida com o Palácio de Ondina — alinhamento natural para um parlamentar do PSD, partido que integra a base tanto do governo estadual quanto do federal, mas que nem por isso dispensa o cultivo permanente de canais institucionais.
O deputado também aparece ao lado do prefeito de Itabuna, Augusto Castro, e da primeira-dama Andréia Castro, reforçando vínculos com um dos municípios mais populosos do sul baiano.
Completam o mosaico de interlocutores os deputados estaduais Rosemberg Pinto e Carletto, o prefeito de Itajuípe, Elder Fontes, além de vereadores, lideranças comunitárias e representantes religiosos — um cardápio diversificado que evidencia a capilaridade de um político com cinco décadas de vida pública.

O corpo como argumento
Em um ambiente político cada vez mais atento à questão geracional, a disposição física de Paulo Magalhães ao longo do evento carrega peso simbólico próprio.
Enquanto figuras mais jovens se revezavam ou abreviavam a participação diante do calor e da extensão do percurso, o octogenário manteve-se presente do início ao fim, em ritmo constante, sem sinais de fadiga aparente.
A performance não passou despercebida. Num cenário em que adversários eventualmente especulam sobre os limites da longevidade política, a imagem do deputado ativo e acessível na Colina Sagrada funciona como resposta eloquente — e dispensa retórica.
Tradição como linguagem
Há, na participação de Paulo Magalhães, um componente que transcende o cálculo eleitoral imediato.
A Lavagem do Bonfim ocupa lugar singular no imaginário baiano: é o ponto de encontro entre o catolicismo popular e as religiões de matriz africana, entre a fé individual e a celebração coletiva, entre o sagrado e o profano.
Comparecer ao evento — e fazê-lo com a liturgia adequada, respeitando códigos, gestos e vestimentas — constitui, para qualquer político baiano, uma forma de reafirmar pertencimento.
O deputado, nesse aspecto, movimentou-se com a fluência de quem conhece a gramática da festa. Participou dos ritos, acompanhou as baianas na subida da ladeira e integrou-se aos cantos e reverências sem a rigidez protocolar que costuma denunciar o forasteiro ou o oportunista de ocasião.
Leitura política
A jornada de Paulo Magalhães na Lavagem do Bonfim pode ser lida em múltiplas camadas.
No plano mais imediato, trata-se de uma demonstração de vitalidade e presença num momento em que o calendário eleitoral já projeta sombras sobre 2026.
No plano institucional, revela um político capaz de circular entre governistas e oposicionistas, prefeitos do interior e lideranças da capital, base popular e cúpula partidária — uma versatilidade que se torna ativo valioso em tempos de fragmentação.
No plano simbólico, enfim, a participação reafirma o vínculo entre o parlamentar e as tradições que constituem a identidade baiana — e sugere que Paulo Magalhães segue disposto a disputar espaço no centro do tabuleiro político do estado.



