ILHÉUS SABE QUEM ESTEVE AQUI — E SABE QUEM NOS VIROU AS COSTAS
Tem coisa que a gente de Ilhéus não esquece.

Não esquece a fila quilométrica na balsa, debaixo de sol forte, esperando atravessar o rio como se o tempo tivesse parado. Não esquece o sufoco de levar um familiar grave para um hospital de verdade em Itabuna, porque aqui não tinha estrutura, porque aqui sempre faltou. Não esquece a estrada esburacada, perigosa, que matou gente, que destruiu carro, que humilhou quem precisava viajar todo dia entre Ilhéus e Itabuna como condição de sobrevivência.
Ilhéus esperou muito. E enquanto esperava, votava.
Votava em nome da esperança. Votava em quem prometia. Votava em quem sorria na foto, apertava a mão, subia no palanque e falava bonito sobre o sul da Bahia. Durante anos, milhares de ilheenses foram parte decisiva na construção da carreira parlamentar de Antônio Carlos Magalhães Neto. Três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, influência estadual, projeção nacional — e Ilhéus lá, contribuindo, votando, confiando.
Só que a relação nunca foi de mão dupla.
Enquanto o parlamentar crescia, Ilhéus continuava esperando. Esperando emendas que não chegavam. Esperando obras que não saíam do papel. Esperando ser tratada como prioridade — e não como ponto de parada em época de campanha. Três mandatos passaram. As filas na balsa continuaram. Os pacientes continuaram viajando doentes para outro município. A estrada continuou matando.
Política se mede por escolhas. E ACM Neto escolheu. Só não escolheu Ilhéus.
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Então vieram outros tempos. Vieram outros projetos. E Ilhéus — essa cidade que Jorge Amado imortalizou, que o cacau já fez rica, que o mar sempre fez bela — começou a mudar de verdade.
A Ponte Jorge Amado foi inaugurada, e uma cidade inteira ficou de queixo caído. Aquela travessia que humilhava gerações virou símbolo. O ilheense que a atravessou pela primeira vez sentiu no peito uma coisa que é difícil de nomear — mas quem é daqui sabe exatamente do que se trata. É o orgulho de ver a sua cidade ser finalmente levada a sério.
O Hospital Regional Costa do Cacau abriu as portas, e famílias que já haviam perdido parentes por falta de estrutura local encontraram, pela primeira vez, um equipamento de saúde à altura do que a gente merecia. Gente que chegou em desespero e saiu curada. Gente que não precisou mais fazer aquela corrida angustiante para outro município na madrugada, rezando no banco de trás do carro.
A duplicação da Ilhéus–Itabuna, a BA-001 pela zona sul, a Maternidade Regional — cada uma dessas obras tem endereço, tem história, tem o rosto de alguém que foi atendido, que chegou mais rápido, que sobreviveu porque a infraestrutura finalmente estava lá.
Isso não é propaganda. Isso é a vida real do ilheense que mudou.
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Tem uma pergunta que precisa ser feita com toda a clareza:
Durante todos esses anos em que Ilhéus ajudou ACM Neto a crescer politicamente — onde estavam as emendas dele para cá? Onde estavam as obras com a assinatura dele nas ruas desta cidade? Onde estava o retorno concreto de tudo que o eleitorado ilheense investiu nessa carreira?
A resposta está nas ruas. Ou melhor — está na ausência que ficou impressa nelas.
Porque enquanto a gente esperava, a cidade foi sendo esquecida por quem tinha a obrigação e o poder de agir. E quando o desenvolvimento veio — e veio de verdade, com concreto, com estrutura, com dignidade — não veio por iniciativa daquele que recebeu os votos de Ilhéus por décadas.
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Hoje, quando o ilheense atravessa a ponte ao pôr do sol e vê o rio aberto, a cidade dos dois lados, a beleza que sempre esteve aqui esperando ser revelada — precisa se lembrar de quem tornou isso possível.
Quando o pai leva o filho para o hospital regional e é atendido com dignidade, sem precisar correr para outro município às três da manhã — precisa se lembrar.
Quando percorre a nova estrada, quando passa pela maternidade, quando vê Ilhéus crescendo com a seriedade que sempre mereceu — precisa se lembrar.
Porque nas próximas eleições, alguém vai chegar sorrindo, vai falar bonito, vai prometer mundos e fundos para o sul da Bahia.
E o ilheense — que não é tolo, que tem memória, que sabe o peso de cada fila de balsa que enfrentou e de cada hospital que não existia — o ilheense vai saber exatamente o que perguntar:
Quando você tinha poder para investir aqui, o que você fez por Ilhéus?
A resposta já existe. Está escrita na cidade. Em cada obra que veio — e em cada promessa que nunca saiu do palanque.
Ilhéus sabe quem esteve aqui de verdade.
E não vai esquecer.
Manejo Notícias | Coluna Justiça & Direito


